A Concha
Marin Sorescu (tradução de Luciano Maia)
Escondi-me numa concha, no fundo do mar,
mas esqueci-me qual.
Cotidianamente desço às profundezas
e côo o mar por entre os dedos
a ver se dou por mim.
Às vezes penso
que fui comido por um peixe gigante
e eu o procuro por toda a parte
para o ajudar a engolir-me por completo.
O fundo do mar me atrai e me espanta,
com os seus milhões de conchas
semelhantes.
Ó gente, eu estou numa delas
mas não sei em qual.
Quantas vezes fui diretamente a uma concha
dizendo:"Este sou eu".
Quando abria a concha
estava vazia.