sábado, 30 de janeiro de 2010

Raquel de Queiroz

Rachel de Queiroz

Quinta ocupante da Cadeira 5, eleita em 4 de agosto de 1977, na sucessão de Candido Motta Filho e recebida pelo Acadêmico Adonias Filho em 4 de novembro de 1977.
Rachel de Queiroz nasceu em Fortaleza (CE), em 17 de novembro de 1910, e faleceu no Rio de Janeiro (RJ) em 4 de novembro de 2003. Filha de Daniel de Queiroz e de Clotilde Franklin de Queiroz, descende, pelo lado materno, da estirpe dos Alencar, parente portanto do autor ilustre de O Guarani, e, pelo lado paterno, dos Queiroz, família de raízes profundamente lançadas no Quixadá e Beberibe.

Artigo - Agora quero falar de flores

(...)


No Brasil, nós ainda não chegamos a esse eterno retorno ao passado. Há os jardineiros sofisticados das casas ricas com os arranjos pedantes de plantas de importação recente, e há o comércio de flores, que se reduz aos produtos de fácil cultivo, de boa resistência e venda fácil. Comércio de que é expoente típico o horrendo agapanto, a flor mais feia e triste do mundo, com a qual se insultam os mortos no Dia de Finados, cobrindo-lhes os túmulos com suas umbelas sinistras. Eu, defunta, chegarei às piores represálias, puxarei pelo pé, arrastarei correntões, aparecerei de mortalha fosforescente, soltarei gargalhadas macabras, assombrarei de todas as maneiras o herdeiro mal-agradecido que me puser agapantos na cova. Perdoo tudo, até anulação de testamento e enterro de terceira classe; mas agapanto não.
O Estado de São Paulo (São Paulo -SP) em 16/11/2002

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Notícias machadianas

"O primeiro a ajudar Machado foi Paula Brito, que o empregou como caixeiro. Posteriormente, o adolescente se tornou aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional, dirigida por Manuel Antônio de Almeida. Seu desempenho se mostrou nulo: logo o chefe da oficina reclamava de sua mania de se furtar às obrigações para ler." (Dau Bastos)

sábado, 9 de janeiro de 2010

Cabelos brancos
(Herivelto Martins e Marino Pinto)

Não falem desta mulher peno de mim
Não falem pra não lembrar minha dor
Já fui moço, já gozei a mocidade
Se me lembro dela me dá saudade
Por ela vivo aos trancos e barrancos
Respeitem ao menos os meus cabelosbrancos
Ninguém viveu a vida que eu viviNinguém sofreu na vida o que eu sofri
As lágrimas sentidas
Os meus sorrisos francos
Refletem-se hoje em dia
Nos meus cabelos brancos
E agora em homenagem ao meu fim
Não falem desta mulher perto de mim

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Canto de Natal
Manuel Bandeira

O nosso menino
Nasceu em Belém.
Nasceu tão-somente
Para querer bem.

Nasceu sobre as palhas
O nosso menino.
Mas a mãe sabia
Que ele era divino.
Vem para sofrer
A morte na cruz,
O nosso menino.

Seu nome é Jesus.
Por nós ele aceita
O humano destino:
Louvemos a glória
De Jesus menino.

A poesia acima foi extraída da "Antologia Poética - Manuel Bandeira", Editora Nova Fronteira - Rio de Janeiro, 2001, pág. 137.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Michail Eminescu

Ressurge sobre mim ...

Ressurge sobre mim, ó luz serena,
Como em meu sonho celestial de outrora;
Ó Santa Mãe, ó Virgem pura e plena,
À minha noite dá luz, Nossa Senhora!

Meu ideal não deixes ir morrendo,
Embora fundas culpas tenha sido;
O Teu olhar, de lágrimas se enchendo,
Faz descer sobre mim, compadecido.

Longe de todos, no sofrer perdido,
Em fundo abismo, eis-me com meu nada.
Não creio mais em mim, estou vencido.

Dá-me vigor e a crença renovada,
Volta do céu de estrelas estendido,
Que eu Te adore, Maria Imaculada!

Tradução: Luciano Maia
(*) O romeno é uma língua novilatina.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Mário Quintana

A rua dos cataventos
Da vez primeira em que me assassinaram,
Perdi um jeito de sorrir que eu tinha.
Depois, a cada vez que me mataram,
Foram levando qualquer coisa minha.
Hoje, dos meu cadáveres eu sou
O mais desnudo, o que não tem mais nada.
Arde um toco de Vela amarelada,
Como único bem que me ficou.Vinde!
Corvos, chacais, ladrões de estrada!
Pois dessa mão avaramente adunca
Não haverão de arrancar a luz sagrada!
Aves da noite! Asas do horror! Voejai!
Que a luz trêmula e triste como um ai,
A luz de um morto não se apaga nunca!

domingo, 15 de novembro de 2009

José Albano (por Sânzio de Azevedo)

José de Abreu Albano que, nascido em Fortaleza em 1882, viria a falecer na França, em 1923, foi educado na Europa (Inglaterra, Áustria e França), tendo depois voltado a Londres e a Paris, entremeando esses períodos com estadas no Ceará e no Rio de Janeiro. Numa dessas estadas em sua terra natal, de 1898 a 1902, fez parte do Centro Literário, datando de 1901 os versos seus mais antigos que fomos encontrar na imprensa cearense, mais precisamente no jornal A República, ora assinando-se José d'Abreu Albano, ora José de Abreu Albano, ou simplesmente J.D'A.A. A maioria dos versos traz formação romântica (``Vi-te, ó virgem - nos lábios teus havia / Sorriso singular''), mas em março desse ano de 1901 já vislumbramos notas precursoras de seu camonismo no quarteto: Aqueles fios d'oiro me têm preso/ O coração em laços poderosos/ Aqueles olhos claros, luminosos/ O peito me têm posto em fogo aceso.

Quem sou eu

Professor da UECE (adjunto) e do CMF (titular); especialista em literatura luso-brasileira (UFC) e mestre em literatura (UFC)

Saudação

Bem-vindos ao mundo da Literatura!!
Participaremos experiências no campo da arte das palavras.
Saudações,
VC
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