segunda-feira, 9 de julho de 2007

Indicação de obra - leitura nas férias!!
Clarice Lispector - Onde estivestes de noite (contos)
Francisco Alves Editora.
Obra múltipla em que a mulher Clarice se desvenda nos mistérios e destroços da sua personalidade ímpar. Contos indicados: "Onde estivestes de noite"; "O relatório da coisa"; "Tempestades de almas".

quarta-feira, 4 de julho de 2007

Gozo Insatisfeito
Augusto dos Anjos
Entre o gozo que aspiro, e o sofrimento
De minha mocidade, experimento
O mais profundo e abalador atrito...
Queimam-me o peito cáusticos de fogo,
Esta ânsia de absoluto desafogo
Abrange todo o círculo infinito.

Na ansiedade desse gozo falho
Busco no desespero do trabalho,
Sem um domingo ao menos de repouso,
Fazer parar a máquina do instinto,
Mas, quanto mais desespero, sinto
A insaciabilidade desse gozo!

Augusto dos Anjos

Augusto de Carvalho Rodrigues dos Anjos (1884-1914)

O autor do Eu era um caso realmente curioso, quase dizia, singular, na literatura brasileira.
Senhor de uma cultura científica superior à sua idade e ao meio em que estudou; sabendo versificar com elegância e brilho; possuindo uma alma verdadeira de poeta e de idealista; era um monista convencido, pelo menos no princípio da sua vida. Via-se que a literatura demasiada de Haeckel e Spencer deixara-lhe um sulco profundo na inteligência.
No mundo ele via sempre as combinações cósmicas, as alianças elementares, as convulsões sísmicas, as revoluções telúricas e siderais, o amálgama de todas as forças latentes do Universo.
(Hermes Fontes)

Fernando Pessoa

SÚBITA MÃO DE ALGUM FANTASMA OCULTO
Fernando Pessoa


Súbita mão de algum fantasma oculto
Entre as dobras da noite e do meu sono
Sacode-me e eu acordo, e no abandono
Da noite não enxergo gesto ou vulto.

Mas um terror antigo, que insepulto
Trago no coração, como de um trono
Desce e se afirma meu senhor e dono
Sem ordem, sem meneio e sem insulto.

E eu sinto a minha vida de repente
Presa por uma corda de Inconsciente
A qualquer mão noturna que me guia.

Sinto que sou ninguém salvo uma sombra
De um vulto que não vejo e que me assombra,
E em nada existo como a treva fria.

terça-feira, 3 de julho de 2007

Poema - prêmio Unifor de literatura (4º)

Descanso
Victor Cintra
A cadeira de balanço
pendula pelo tempo
como se contasse os anos da morte do seu dono
Num rangido de súplicas
parece chorar mágoas antigas
tão antigas quanto o chão tosco
que lhe fere
as dobras
As crianças percebem um velho de longas barbas brancas
regendo-lhe o balançar
e se admiram
dos grandes anéis
saídos do cachimbo de fumaça...

Mulher literária

Romântica - lábios de mel;
Realista - boca;
Naturalista - beiços. (VC)

Drummond - tese: Farewell

A idéia de revisitar a obra proposta através do longo fazer poético drummondiano parece ter, em Farewell, essa confirmação. O título já consagra a idéia de breve até logo, como se os pontos de começo e fim se unissem num abraço definitivo, invocando a expressão clássica Finis coronat opus ( o fim coroa a obra), talvez indicando que as ações poéticas receberiam, então, um tratamento conclusivo, não como fim em si mesmo, mas como um desenlace que se refaz como o próprio ente do ser, esse habitante do ser que o cria a partir dele mesmo, o Dasein heideggeriano.Farewell é a obra póstuma de Drummond. (Victor Cintra)

Quem sou eu

Professor da UECE (adjunto) e do CMF (titular); especialista em literatura luso-brasileira (UFC) e mestre em literatura (UFC)

Saudação

Bem-vindos ao mundo da Literatura!!
Participaremos experiências no campo da arte das palavras.
Saudações,
VC
Powered By Blogger