XIV
Quem deixa o trato pastoril amado
Pela ingrata, civil correspondência,
Ou desconhece o rosto da violência,
Ou do retiro a paz não tem provado.
Que bem é ver nos campos transladado
No gênio do pastor, o da inocência!
E que mal é no trato, e na aparência
Ver sempre o cortesão dissimulado!
Ali respira amor sinceridade;
Aqui sempre a traição seu rosto encobre;
Um só trata a mentira, outro a verdade.
Ali não há fortuna, que soçobre;
Aqui quanto se observa, é variedade:
Oh ventura do rico! Oh bem do pobre!
domingo, 10 de fevereiro de 2008
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Florbela Espanca - poetisa portuguesa
Amar!Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui...além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar!Amar!E não amar ninguém!
Recordar?Esquecer?Indiferente!...
Prender ou desprender?É mal?É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei-de ser pó,cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...
Amar só por amar: Aqui...além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar!Amar!E não amar ninguém!
Recordar?Esquecer?Indiferente!...
Prender ou desprender?É mal?É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei-de ser pó,cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Manuel Bandeira (1886-1968)
No poema (fragmento abaixo) de Carnaval observamos a dicotomia amor/morte, uma relação dionisíaca com a vida.
Bacanal
Manuel Bandeira
"Quero beber! Cantar asneiras
No esto brutal das bebedeiras
Que tudo emborca e faz em caco...
Evoé Baco!
Lá se me parte a alma levada
Lá se me parte a alma levada
No torvelim da mascarada
A gargalhar em doudo assomo...
Evoé Momo!"
Carnaval
Carnaval – do it. carnevale – uma das festas profanas iniciadas a partir do Dia de Reis (Epifania). Homenagem a Baco (Momo) o Deus do vinho. Originariamente o entrudo (do lat. introitu) festa que consistia em lançar nos outros água, vinho, farinha, ovos etc, ou seja, brincadeiras sem intenção de ofender.
sábado, 2 de fevereiro de 2008
Outras etimologias
Aluno - de alere (alimentar): o que se alimenta, mama; discípulo, educando.
Amigo - do lat. amicus (de amare). O guardião da alma: animi custos, hamus (gancho): algema do amor.
Atento - adtentus: retém o que ouve (audiens teneat).
Beatus - (feliz, bem-aventurado): do lat. bene auctus (o que se desenvolveu bem, realizado), isto é: verdadeiramente feliz é quem realiza o bem e só o bem deseja.
Amigo - do lat. amicus (de amare). O guardião da alma: animi custos, hamus (gancho): algema do amor.
Atento - adtentus: retém o que ouve (audiens teneat).
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Fernando Pessoa (1888-1935)
O tejo é mais belo
Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)
[...]
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
(*) Mesmo mais modestas as nossas coisas são as nossas coisas.
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Notícia
A escassez de palavras proparoxítonas já raras no português arcaico também foram evitadas no latim; um exemplo; mulíere (cl.) > muliére (vulg.) > mulher. A mulher proparoxítona deu lugar como em muitos outros casos à forma paroxítona (vulg.), mais agradável ao ouvido lingüístico que se formava. Resultado: a língua, hoje, é paroxitonal.
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Quem sou eu
- Literatura em consultas
- Professor da UECE (adjunto) e do CMF (titular); especialista em literatura luso-brasileira (UFC) e mestre em literatura (UFC)
Saudação
Bem-vindos ao mundo da Literatura!!
Participaremos experiências no campo da arte das palavras.
Saudações,
VC
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