quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Florbela Espanca - poetisa portuguesa

Amar!Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: Aqui...além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente
Amar!Amar!E não amar ninguém!

Recordar?Esquecer?Indiferente!...
Prender ou desprender?É mal?É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!

Há uma Primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó,cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Manuel Bandeira (1886-1968)

No poema (fragmento abaixo) de Carnaval observamos a dicotomia amor/morte, uma relação dionisíaca com a vida.

Bacanal
Manuel Bandeira
"Quero beber! Cantar asneiras
No esto brutal das bebedeiras
Que tudo emborca e faz em caco...
Evoé Baco!
Lá se me parte a alma levada
No torvelim da mascarada
A gargalhar em doudo assomo...
Evoé Momo!"

Carnaval

Carnaval – do it. carnevale – uma das festas profanas iniciadas a partir do Dia de Reis (Epifania). Homenagem a Baco (Momo) o Deus do vinho. Originariamente o entrudo (do lat. introitu) festa que consistia em lançar nos outros água, vinho, farinha, ovos etc, ou seja, brincadeiras sem intenção de ofender.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Outras etimologias

Aluno - de alere (alimentar): o que se alimenta, mama; discípulo, educando.
Amigo - do lat. amicus (de amare). O guardião da alma: animi custos, hamus (gancho): algema do amor.
Atento - adtentus: retém o que ouve (audiens teneat).
Beatus - (feliz, bem-aventurado): do lat. bene auctus (o que se desenvolveu bem, realizado), isto é: verdadeiramente feliz é quem realiza o bem e só o bem deseja.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Fernando Pessoa (1888-1935)


O tejo é mais belo
Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)
[...]
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.

(*) Mesmo mais modestas as nossas coisas são as nossas coisas.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Notícia

A escassez de palavras proparoxítonas já raras no português arcaico também foram evitadas no latim; um exemplo; mulíere (cl.) > muliére (vulg.) > mulher. A mulher proparoxítona deu lugar como em muitos outros casos à forma paroxítona (vulg.), mais agradável ao ouvido lingüístico que se formava. Resultado: a língua, hoje, é paroxitonal.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Estudo de texto medieval

Cantiga: Per ribeira do rio
Tipologia: cantiga de amigo
Autor: João Zorro
Per ribeira do rio
vi remar o navio
e sabor hei da ribeira.
Per ribeira do alto
vi remar o barco
e sabor hei da ribeira.
Vi remar o navio:
i vai o meu amigo
e sabor hei da ribeira.
I vai o meu amado,
quer-me levar de grado
e sabor hei da ribeira.
Glossário:
1) Per: per + lo > perlo > pelo - preposição arcaica;
2) Ribeira: ripa > riba + -eiro(a) - a parte elevada do vale. Aves de arribação;
3) E sabor hei: estou contente;
4) I: ibi > ii > i - ali, neste lugar, naquele local etc;
5) De grado: de boa vontade.
(in: Filologia notas - Victor Cintra)
Tarefa: faça uma versão atual do texto.

Quem sou eu

Professor da UECE (adjunto) e do CMF (titular); especialista em literatura luso-brasileira (UFC) e mestre em literatura (UFC)

Saudação

Bem-vindos ao mundo da Literatura!!
Participaremos experiências no campo da arte das palavras.
Saudações,
VC
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